Monumento a José Bonifácio

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Monumento a José Bonifácio


José Bonifácio de Andrada e Silva nasceu na cidade de Santos, Estado de São Paulo, a 13 de junho de 1763.


Formando-se em Filosofia e Leis pela Universidade de Coimbra, viajou dez anos pela Europa, em excursões científicas, entregando-se a investigações práticas de mineralogia. Descobriu diversas espécies de minerais. De volta a Lisboa foi nomeado Secretário Perpétuo da Real Academia de Ciências, exercendo o cargo de Intendente Geral das Minas e o de lente de Geognosia e Metalurgia, cadeira então criada na Universidade de Coimbra para o sábio brasileiro.


Quando as tropas de Napoleão, comandadas por Junot, invadiram Portugal, José Bonifácio, então estudante, comandou o batalhão acadêmico que partiu ao encontro dos Invasores.


Poeta de inspiração elevada, pôs seu estro, principalmente, a serviço dos seus ideais de igualdade e liberdade humana.


Mas, sobretudo, a figura de José Bonifácio avulta pelo seu papel no movimento de que resultou a Independência do Brasil. Sua influência política, sua combatividade, seu valor moral e intelectual colocaram-no à frente daquele movimento, passando à história, por isso, com o glorioso epíteto de – O Patriarca, o maior que uma Pátria pode conferir a um dos seus filhos.


Realizada a Independência, foi ministro e deputado à Constituinte. Dissolvida esta, foi deportado para a França. No momento, porém, de ter de deixar o Brasil, a 7 de abril de 1831, Pedro I fê-lo tutor do então príncipe Pedro de Alcântara, depois Pedro II, ainda menor àquela época.


Os inimigos de José Bonifácio, entretanto, disputavam-lhe o prestígio junto à família imperial, usando para isso de todas as armas, inclusive a intriga e a traição. E o Patriarca foi demitido, preso e processado. Absolvido, retirou-se para a ilha de Paquetá, onde residia desde 1829.


Desgostoso dos homens, mas não descrente do futuro da nacionalidade que fundara, viveu afastado de lutas os últimos tempos de sua existência, tendo falecido a 6 de abril de 1838, em São Domingos, Niterói.


José Bonifácio nunca aceitou títulos nobiliárquicos, nem condecorações; e em 1823, na Assembleia Constituinte do Império, apresentou dois projetos de lei que evidenciam a sua visão de estadista e a grandeza de sua alma: um – abolindo a escravidão; outro – cuidando da proteção dos índios.


Foi, finalmente, o idealizador da Bandeira Nacional, que a República modificou apenas com a substituição da coroa imperial pela esfera celeste azul.

Casa de José Bonifácio em Paquetá


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A estátua de José Bonifácio de Andrada e Silva, que se ergue no Largo de São Francisco de Paula, em frente à Escola Nacional de Engenharia ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, foi levantada por iniciativa do Instituto Histórico, mediante uma subscrição pública, que rendeu a importância de sessenta contos de réis. A sua inauguração ocorreu no dia 7 de setembro do ano de 1872 e se revestiu de grande solenidade. O Imperador D. Pedro II assistiu ao ato inaugural, transportando-se do Paço Imperial para o edifício daquela Escola (então Escola Central), onde o aguardavam a Imperatriz, a princesa Imperial e seu esposo, os membros da Câmara Municipal e todas as pessoas da Corte, os descendentes de José Bonifácio, os sócios do Instituto Histórico e os membros da comissão Incumbida de erigir a estátua. De acordo com o cerimonial organizado para a solenidade da Inauguração, o imperador designou as pessoas que deveriam segurar as pontas do véu que envolvia o bronze e, tomando, ele próprio, parte na cerimônia, desceu ao largo com as pessoas indicadas. Ao som do grito “’Viva a Independência Nacional” e do toque do Hino Brasileiro, apareceu a estátua, entre grandes manifestações de regozijo, enquanto uma bateria colocada no morro de Santo Antônio dava uma salva de 19 tiros. Dos degraus da escadaria da Escola, o orador do Instituto Histórico, Dr. Joaquim Manuel de Macedo, pronunciou um discurso alusivo ao ato, ao qual o imperador respondeu nos seguintes termos: – “As nações engrandecem-se com as homenagens prestadas aos seus varões ilustres; José Bonifácio de Andrada e Silva é digno da veneração que lhe tributam todos os brasileiros e que eu lhe consagro também como grato pupilo”.


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A estátua é obra de Louis Rochet, o mesmo estatuário que construiu o monumento a D. Pedro I, que se ergue na Praça Tiradentes. O bronze empregado na construção pesa 18.000 quilos, medindo a estátua 2 metros e 40 centímetros. Sobre degraus de pedra eleva-se um embasamento de mármore do Jura, que sustenta um pedestal octógono de bronze, tendo nos ângulos mais estreitos as figuras alegóricas da Justiça, da Integridade, da Poesia e da Ciência. Na face da frente lê-se: – José Bonifácio de Andrada e Silva, 7 de Setembro de 1822. Sobre o pedestal, de pé, o Patriarca da Independência, tendo junto de si um mocho com livros, e na mão direita uma pena, recordando ter sido ele o autor do “Manifesto às Nações”, dirigido por D. Pedro I aos governos amigos. Tem a mão esquerda num gesto de quem fala.


Publicado na edição de 12 de setembro de 1943 do jornal Diário de Notícias.


Coordenadas geográficas

  • -22° 54' 18.432", -43° 10' 51.06" (Monumento a José Bonifácio no Largo de São Francisco)


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